Dmitri Lobkov - Um pouco de sua História


Avô anarquista, bisavô militar


Tataraneto da princesa imperial Ana Volkonsky, Dmitri Lobkov saiu da Rússia em 1989. O colapso da União Soviética diante dos Estados Unidos na Guerra Fria era questão de tempo. Dmitri rumou para a Argentina, onde se casou. Sua esposa foi para Campinas fazer doutorado em 2003 e, posteriormente, veio lecionar em Curitiba em 2007. Dmitri seguiu a companheira e, desde então, se considera um paranaense de coração.

Coração esse que quase parou durante a Guerra do Afeganistão (1979-1989), que teve o envolvimento militar do exército soviético. Ex-oficial militar russo, Dmitri sofreu um disparo de um franco atirador. O tiro atingiu a região das costelas. A dor foi intensa. O sangue jorrava. “Na hora peguei uma injeção com remédio para dor e eu mesmo me apliquei”, conta. Caiu ao chão. Só foi salvo porque, ao chegar à pista de pouso e decolagem, um avião estava de partida para a Rússia. “Fui levado às pressas para o hospital”, narra.

Bisavô de Dmitri, general do exército do governo

A família de Dmitri tem um pé na guerra. Todos os membros masculinos da família serviram ao exército russo. Seu bisavô, durante a Guerra Civil Russa, estava do lado das forças oficiais. Era general do Exército. Já seu avô era anarquista e combatia as tropas do próprio pai durante as batalhas. Posteriormente, o avô serviu ao Exército e acabou morto durante a Segunda Guerra Mundial.

Maksim Lobkov,anar-quista com revolver no chão, avô de Dmitri

Talvez seja essa história ambígua que tenha motivado Dmitri a criticar algumas ações do governo comunista. Acabou saindo do Exército e foi transferido, em 1986, para o Ministério dos Transportes. Nesse mesmo ano, o acidente da usina nuclear de Chernobyl assombrou o mundo. E foi Dmitri um dos responsáveis por coordenar a evacuação da região contaminada para salvar o maior número de pessoas.

Saiu da Rússia com a sensação de dever cumprindo e magoado pelo rumo que a União Soviética tomou.
“As elites traíram a sociedade”, afirma.